Que se lixe o humor. Aspirina, é da Bayer

 

Que fique bem claro: detesto escrever a quente. Perde-se amiúde a sensibilidade necessária para brincar um pouco com a génese dos temas em debate. Por outro lado, o Benfas foi a Leverkusen mostrar o que deve ser uma equipa que quer, de facto, ser candidata a vencer uma competição europeia. Posto isto, que se lixe a sensatez e até a imodéstia.

O SLBenfas venceu hoje, pela segunda vez na sua história, uma partida de futebol em terras de sua senhoria, a gorda Merkel. Com categoria. Com ousadia. Com humildade (é verdade, não é contraditória da anterior!). Com sorte.

Porque Jesus surpreendeu com uma equipa onde pontificavam André Almeida, André Gomes e Urreta, obrigando Gaitán a batalhar a 10 e Enzo Perez e Maxi Pereira a “provarem” banco. Foi aí que o SLBenfas começou a vencer o jogo. Até lembra quando Toni deixou Rui Costa no banco no início dos 3-6 e o Sr. Professor não soube o que fazer à vida ao perceber que se quisesse marcá-lo tinha de mandar para junto do banco dos da Luz.

Porque, desta vez, os da Luz entraram em campo sem medo dos rapazes da farmacêutica, mas com cabeça suficiente para não se armarem em parvos a ponto de se porem com correrias loucas, mas manias de que a coisa estava ganha. Nada disso. Foi mais um “deixa-os correr a eles, que a malta logo faz um golito ou dois e eles fiam mais fino”.

Porque Artur enterrou em duas ocasiões, mas brilhou ao mais alto nível em cinco ou seis. Alguém me explica como é que se chuta contra um tipo que está a pelo menos 10 metros de um guarda-redes que pretende colocar a bola lá na frente?

Porque Matic deixou hoje muita gente a perguntar-se como é que este 6 era suplente de Javi García. Ainda que, decerto, haja muitos a responder que este 6 aprendeu a ser assim com o espanhol e que andava arredado da Luz quando Javi abria os braços e abraçava a largura do campo.

Porque por mais de uma ocasião tiveram os pupilos de Hyppia oportunidade de empatar e/ou de virar o jogo, mas a sorte que também faz os campeões protegeu a equipa de Lisboa e não os simpáticos rapazes de Leverkusen.

Mas sobretudo porque Oscar Cardozo voltou a provar por que é um dos melhores pontas de lança a actuar na Europa, com um golo em que revelou que, concentrado, é praticamente impossível de parar na “cara do golo”. E é quase certo que os adeptos o perdoaram pelo excesso de empenho que lhe valeu o vermelho na Madeira.

Hoje voltámos a ver um SLBenfas verdadeiramente europeu, com capacidade individual e colectiva, com querer, com garra, com talento e criatividade, e até com uma boa dose de sorte à mistura. Uma equipa que não se iludiu nem se inibiu, que soube ser paciente e sofrer, e, sobretudo, não se deixar levar por fantasias de um passado mais ou menos recente. Sem espinhas. Nem dores de cabeça.

Que fique bem claro: detesto mostrar-me emotivo quando escrevo. Especialmente porque nada está ganho ainda. Mas que fique igualmente claro que, com esta capacidade de jogo, acredito que quando JJ diz que o SLBenfas é candidato a vencer a Liga Europa não me soa à palermice que foi dizer que sim que sabia que havia de ganhar a Liga dos Campeões um dia (foi pela sua primeira participação com as águias, e o resultado é por demais conhecido).

Paulo A. Moreira

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